Arquivo de Junho, 2008

Entrevista de Nuno Moreira ao Jornal Primeiro de Janeiro / O Norte Desportivo

Posted in Noticias on Junho 30, 2008 by NMKarate

ATLELA DO CLUBE KARATÉ DA MAIA JÁ CONQUISTOU OITO CAMPEONATOS NACIONAIS
DE CORPO E ALMA


Nuno Moreira fala sobre os seus títulos de karaté, a sua experiência enquanto atleta e relata também um pouco da sua história do começo da prática da modalidade. Mostra-se competitivo com os outros atletas e acredita que vai conseguir conquistar o primeiro lugar no Europeu, depois de ter alcançado o bronze no Mundial. Para este jovem atleta, ter o emblema no peito da Selecção Nacional é um orgulho e mostra ao NorteDesportivo como é importante a modalidade na sua vida, as várias razões da escolha e como esta trouxe benefícios, quer a nível pessoal, quer a nível físico. Além de competidor, o atleta do Clube de Karaté da Maia dá também aulas em várias escolas, onde mostra a sua capacidade de instrutor e atleta. Tem vários objectivos e afirma que os vai conseguir realizar e nunca vai desiludir Portugal.

Cláudia Araújo
Jorge Machado (fotos)

 

 

Com que idade começou a praticar karaté?
Comecei com cinco anos de idade, em 1990. Fui um bocadinho forçado pela parte da família, porque o meu pai é professor de karaté, a minha irmã também praticava e falavam da modalidade.
Qual foi o seu primeiro clube?
Comecei no Externato Santa Joana, um colégio, depois como me mudei para a Maia fui para o meu actual clube que é o Clube de Karaté da Maia.
Com que idade recebeu o cinturão negro?
Tinha 14 anos, lembro-me que tinha estado há cerca de dois anos à espera desse cinto, pois tem que se ter um certo tempo na modalidade. Foi uma grande alegria para mim ter recebido aquele cinto que tanto esperava e que qualquer atleta pretende.
Qual foi o primeiro título que obteve?
Tinha eu sete anos, tinha o cinto laranja. Fui a uma competição pelo meu antigo clube no ginásio onde eu treinava. Foi um torneio de inter-clubes, eu andava como as outras crianças quando vão para as competições, corria, estava distraído e chamaram-me para ir ao pódio e ainda me lembro de uma situação muito engraçada que, nesse momento, um amigo meu me disse: “Estão a chamar-te para receberes um prémio”. E eu nem sequer sabia que tinha ficado classificado e ganho o prémio. Foi, depois, com bastante entusiasmo que o recebi perante os outros atletas e com extrema felicidade reparei na centena de pessoas que me aplaudiam, foi uma sensação muito boa e lembro-me dela todos os dias.
Como tem várias medalhas no Circuito Golden League, pode explicar em que consiste essa prova?
É uma prova que neste momento está a ser feita em quatro países, Há um que é rotativo, todos os anos é alterado, e que dá alguma recompensa aos atletas, ou seja, é um circuito que se paga muito em termos monetários, mas no fim os atletas que ganham, até ao sétimo lugar, recebem uma quantia bastante elevada. Podemos comparar este nível de competições ao ténis e outras provas porque fazem um grande circuito para conseguir subir para o ranking, e, nós, basicamente, fazemos também. Tenho algumas medalhas do Circuito da Golden League.
Como é representar a Selecção?
Bastante bom, temos o emblema do país ao peito e não queremos desiludir ninguém. É de facto um agradecimento ao trabalho que temos e às prestações que temos adquirido em todas as provas que realizamos, por isso a sensação é extremamente boa. Fico muito contente e quando há alguma prova pela Selecção Nacional eu estou presente.
Teve alguma dificuldade em integrar-se na modalidade?
Não, até porque os mais jovens vêem filmes e adoram os de luta, porque mostram como lutam e há sobretudo filmes alusivos ao karaté. No início acabou por haver uma química neste desporto. É claro que foi mais fácil porque o meu pai era professor e a minha irmã na altura já praticava à três anos, eu acabei por dar os mesmos passos e integrar a modalidade na companhia e sempre sobre o olhar deles.
Sempre teve apoio da sua família?
Sempre tive muito apoio, pelo contrário nunca me faltou apoio, os  meus pais sempre me deram um grande apoio e incentivo tal como fundos monetarios para poder correr atras do meu sonho, mesmo em situações em que discordavam, deram-me tudo o que podiam, desde o momento em que me comecei a dedicar-me a sério. Até me lembro de uma história caricata, fui chamado para ir treinar ao Futebol Clube do Porto e o meu pai, devido às minhas notas, acabou por me castigar, e esse castigo era treinar karaté, na altura isso para mim era um bicho de sete cabeças porque não queria ir ao karaté pela idade se calhar, mas a partir de uma certa altura acabou por não ser para mim um castigo pois já competia e era formidável o apoio que tinha. Conheci também a minha namorada que também pratica há bastantes anos como eu e acabou por se juntar o útil ao agradável, estávamos sempre juntos.
O que é para si o karaté?
O karaté é tudo, ou seja, uma grande parte da minha vida, quase que nasceu comigo e que continua a acompanhar-me até aos dias de hoje e vai-me acompanhar nos anos que virão. É uma actividade de corpo e alma. Muitas vezes as pessoas afastam-se das modalidades devido à vida pessoal, trabalho, mas eu não vou deixar o karaté.
Qual foi a melhor recordação até agora na sua carreira?
Relativamente ao karaté, tive vários títulos e vários pontos especiais, mas sem dúvida conseguir a medalha de bronze no Campeonato do Mundo. Foi um feito, trabalhei por etapas, fui cumprindo os meus objectivos, consegui essa medalha, mas criou-se mais um objectivo que é conseguir o primeiro lugar que vai ser um ponto marcante.
Tem ídolos?
Sim, eu cresci no meio de alguns atletas portugueses que hoje em dia ainda me acompanham, como o Fernando Ferreira, o seleccionador Joaquim Gonçalves ou Nuno Dias. Por isso é que estou no karaté. Falando nos atletas internacionais, naquela altura ainda não os conhecia, mas simpatizava com alguns.
Os karatecas estrangeiros são melhores do que os portugueses?
Não são melhores do que os portugueses, existe politica, e isso mexe um bocadinho com os outros países em termos de prestação. Existem muito bons atletas, mas eu considero-os os melhores atletas em termos de combate, isto até porque em todas as competições mundiais, europeias, em todas mesmo, há muitos portugueses. Ainda agora tive um exemplo, porque fiz um pontapé rotativo saltado de extrema dificuldade e que os estrangeiros não se atrevem a fazer, não é que não saibam que sabem, mas não se arriscam a saber, nós executamos tudo. Por vezes não temos aquele apoio com o sistema arbitral, é óbvio que Portugal não tem o mesmo peso com a França, Por exemplo há cerca de quinze árbitros internacionais e só três portugueses é que foram consagrados o ano passado. Não é fácil, mas temos obtido bons resultados. Tem que ser aos poucos, porque não se consegue tudo de uma vez só.
Quais as expectativas para o futuro?
Continuar a trabalhar e lutar pelos meus objectivos que são muitos.
Para muitos o karaté é apenas uma forma de praticar desporto, para si também o é?
É uma actividade que me permite estar numa boa forma física e divertir-me com aquilo que faço. Sou um atleta que não fui obrigado a fazer karaté que provavelmente muitos são, mas sou um atleta que adora executar a modalidade e principalmente a parte espectacular do karaté. Estou ligado a esta modalidade com carinho, tenho mesmo paixão à modalidade e considero-a muito mais que uma actividade física.
Dá aulas de karaté?
Exactamente, dou aulas em algumas escolas, escolas de Parada, Pedrouços, Ajax de Carreiros e no Clube Karaté da Maia que é o meu clube.
Qual a próxima prova?
Neste momento, a última competição vai ser o Open Internacional de Andorra que o ano passado venci. É uma mistura com campeões da Europa e do Mundo, mas tenho boas expectativas. Vou continuar a fazer a minha preparação, visto que vai haver o Mundial, no mês de Novembro, e vou estar presente.
Acha que o karaté é pouco divulgado em Portugal?
Por vezes sim, certas pessoas têm uma opinião muito errada sobre o karaté, pensam que é só lutar e as pessoas magoam-se. Conheço bastantes atletas e se se magoam é raro ou se acontece é na competição ou torcer um pé, o que é natural uma pessoa na rua também o pode fazer. Mas se perguntarmos a algumas pessoas, quase todas elas já praticaram karaté, na sua infância, em dois dias. Relativamente à divulgação, sim, falta divulgação, não há tanta visibilidade como as outras como o futebol, por exemplo. A televisão tem que pagar ao futebol para receber as imagens e nós temos que pagar para eles fazerem filmagens, o que é uma coisa completamente absurda, porque acabamos por fazer todos desporto e uns acabam por ser beneficiados e nós não.

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CAMPEONATOS
É MAIS UMA CONQUISTADA
Em quantos Mundiais participou?
Neste momento, todos os Campeonatos do Mundo e Europa. Estive presente pela Federação Nacional de Karaté. Sou o detentor da unica medalha mundial.
Em que lugares ficou nos Europeus que participou?
Fiquei pelas eliminatorias, com alguma infelicidade, mas sabemos que não é facil, irei certamente lutar para conseguir algo bem melhor. Vamos sempre obtendo mais prática nessas competições e cada vez mais vou treinar, pois sou um atleta novo e pretendo sem dúvida alcançar muitos mais objectivos, a nível mundial e europeu. Não é fácil, mas com trabalho tudo se consegue e neste momento luto por um lugar no pódio a nível europeu e por isso vou dar o máximo.
Quantas vezes foi campeão nacional?
Até há data já sustento 8 titulos nacionais.
O que sente ao ser campeão?
É uma sensação muito boa, nós pensamos “é mais uma conquistada”, isto porque é muito difícil. As competições no estrangeiro são muito difíceis, mas aqui em Portugal muito mais. Existe uma grande pressão, todas as pessoas por um lado querem que os atletas ganhem, por outro as que estão do lado do adversário querem que percamos. É difícil porque temos que deixar uma boa imagem e ao representar a Selecção Nacional não podemos falhar porque, por vezes, os comentários são muito desagradáveis.

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PREPARAÇÃO
VER UMA SALA CHEIA DE TROFÉUS
Como explica a participação num Campeonato?
Preparo-me muito, sou um atleta que treino, no mínimo, uma vez por dia, cerca de duas a tres horas mais ou menos. No entanto, antes das competições, dependendo do nível da exigência, faço mais do que um e dois treinos por dia, o que é muito complicado, porque uma pessoa trabalha, outros atletas estudam e desta forma dificulta um bocado a preparação para os campeonatos ou provas em questão.
O que sente quando está numa competição?
Algum nervosismo, isso todos os atletas têm, mas também alguma vontade de querer ganhar e arrecadar mais algum título, além daqueles que já tenho. É sempre bom independentemente da competição, se são os mesmos atletas ou se vai ser a mesma competição, é sempre benéfico podermos ver o nosso currículo, ver uma sala cheia de troféus, os nossos medalhões e saber que foi tudo com muito sacrifício e muito tempo dedicado a este desporto. É sem dúvida extremamente bom.

Alguma nota importante acrescentar?

Gostaria sem duvida de agradecer este apoio e a procura da divulgação da nossa nobre modalidade e em especial ao meu patrocinador que é a Camara Municipal da Maia, este municipio tem sindo sem duvida uma grande motivação e um grande apoiante desta minha carreira.

 

Nuno Moreira